Cadeiras de corte: materialidades cotidianas e marcadores sociais da diferença nos salões de beleza do Distrito Federal (Brasil)
Palabras clave:
materialidades, infâncias, corporalidadesResumen
Este estudo etnográfico analisa o papel das cadeiras para cortes de cabelos em salões do Distrito Federal, Brasil, como elementos mediadores na construção da imagem corporal infantil. Interagindo em pesquisa com crianças de 6 a 12 anos provenientes de diversos contextos socioeconômicos e culturais. O estudo revela como estes mobiliários transcendem sua funcionalidade aparente para atuar como dispositivos materiais que incorporam e reproduzem relações de poder associadas a gênero, classe e raça. O trabalho destaca particularmente a capacidade de agência das crianças, que não se posicionam como receptores passivos de normas estéticas, mas desenvolvem estratégias criativas de reiteração, resistência, negociação e/ou ressignificação frente às imposições veiculadas por meio destes artefatos. As cadeiras de corte emergem, assim, como objetos que materializam tensões sociais mais amplas. A análise demonstra como estes elementos cotidianos do ambiente urbano simultaneamente podem tanto reforçar desigualdades estruturais quanto abrir espaços para práticas emancipatórias. O estudo contribui para a compreensão da complexa inter-relação entre cultura material, corporeidade infantil e reprodução/contestação de padrões estéticos normativos na sociedade brasileira contemporânea.
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